Em presídio brasilerio, a diária é de luxo!

Nos últimos anos, o Brasil aumentou muito sua população carcerária. Já ultrapassamos a Rússia e neste ritmo, passaremos a China, ficando atrás somente dos Estados Unidos. Vergonhosamente temos hoje a terceira maior população de presidiários do mundo: são mais de 726.000 brasileiros confinados.

Desse total mais de 40% são presos provisórios. Mais de 290.000 pessoas estão presas sem ao menos terem sido julgadas ou apresentarem risco confirmado à investigação que, muitas vezes, nem será feita. Mas então calculo: nessa política de “quanto mais prender, melhor”, parece que só ganha quem gerencia um orçamento superior a R$3.630.000.000 – três bilhões, seiscentos e trinta milhões de reais – (726.000 presos X média mensal de R$5.000,00/preso). Para esse volume de pessoas só hotel de luxo, cobraria diária tão cara.

Para um país cheio de políticas públicas que se diziam dirigidas à população carente, o investimento no bolsa família é de R$39,00 a R$195,00/mês; enquanto por um preso as contas públicas lançam de R$4.000,00 à R$7.000,00/mês.

Isso quer dizer que o Estado brasileiro prefere investir mais de R$4.000,00 em um preso, do que na prevenção. Deveria acabar o foro privilegiado dos políticos. Isso gera sensação de impunidade. Além dos mais de 290.000 presos sem julgamento, há milhares que já cumpriram pena, mas ao Ministério da Justiça não é interessante perder a diária de hotel. Mais de 80% dos presos quer trabalhar e estudar. Muitos deles ainda são analfabetos. Quem já foi a alguns presídios sabe que as celas são super lotadas, faz-se rodízio para deitar, a comida é horrorosa, o banheiro em condições precárias, sem assistência médica e jurídica adequada. Então porque cobrar tão caro de nós, com a alegação de que eles é que custam caro? Para mim, é caro, ver político criminoso, pagando sua assistência jurídica com dinheiro roubado das vítimas.

Vamos trocar o perfil dos presidiários. Sai quem nem foi julgado, ou já cumpriu pena. Trabalho e estudo obrigatório para todos. Instituir o fim do “foro privilegiado” para os políticos e seus comparsas. E que seja válida a mesma regra para TODOS!

Chega de priorizar as prisões em massa de pessoas com baixa renda e escolaridade, e passemos a focar judicialmente, em quem desvia milhões de dinheiro público. Que esses, uma vez julgados e condenados, além da privação de liberdade, percam todos os bens adquiridos de forma ilícita e esse patrimônio sujo seja limpado por meio de estorno para despesas prioritárias como educação, saúde, segurança, transporte e assistência jurídica.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *